Trabalho Capital # Ensaio Sobre Gestos e Fragmentos
13 abril — 13 outubro 2019
Curadoria: Paulo Mendes

“A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento.”
Milan Kundera
“A cultura é a regra, a arte é a excepção. Faz parte da regra querer a morte da excepção.”
Jean-Luc Godard

Nesta exposição-instalação coloca-se em diálogo a colecção Norlinda e José Lima com novas obras realizadas para este projecto, outras já produzidas e, igualmente, material documental e técnico do espólio museológico industrial relacionado com a história da Fábrica Oliva. Pretende-se convocar a memória histórica, social e política da Oliva, confrontando-a com o nosso tempo e o actual espaço expositivo. A convocação desse património material e imaterial é uma das componentes importantes deste projecto, tendo como premissa aqui reunir trabalhos que estejam de forma mais directa ou indirectamente relacionados com algumas ideias e conceitos que podemos inventariar e debater com a ideia de TRABALHO. Nesta Fábrica, fundada nos anos 20 do século passado e definitivamente fechada em 2010, existe agora um espaço cultural. Aqui assistimos à fragmentação e recomposição de um espaço fabril, que permite novos usos e sentidos performativos. Numa cidade com um grande parque industrial, deseja-se não obliterar essa memória, mas convocá-la para este projecto, que vai confrontar os habitantes da cidade e os visitantes que chegam de fora, com uma realidade industrial passada e presente. A ocupação de uma antiga Fábrica por um projecto cultural levanta questões sobre a relação entre trabalho e cultura, entre valores materiais (produção de capital) e imateriais (produção de cultura). Nesta exposição-instalação, a memória do espaço de trabalho, fabril e industrial é reactivada através de documentação fotográfica e fílmica. Foram realizadas um conjunto de entrevistas a antigos operários, iniciando, assim, um arquivo oral e de vídeo que vai ser exibido na exposição como forma de devolver a Fábrica Oliva à cidade e restabelecer uma ponte com o passado. A cenografia da exposição remete para um espaço industrial em (re)construção, evocando-se as reminiscências do passado industrial em confronto com a produção contemporânea de cultura. A materialização dessas memórias é realizada através de propostas de transformação e práticas espaciais que exploram leituras interdisciplinares do património arquitectónico e dos espaços pós-industriais, mobilizando-se a participação das artes visuais, arquitectura e imagem em movimento. O projecto TRABALHO CAPITAL aprofunda, na sua pesquisa, diferentes ferramentas da antropologia, história ou arqueologia, através da pesquisa de terreno e da documentação em arquivo. Neste projecto convidamos o público, os criadores e investigadores a explorar a dimensão cultural do espaço físico pós-industrial. [Paulo Mendes]

Artistas: A Kills B, A. R. Penck, André Alves, André Príncipe, Albuquerque Mendes, Alberto García Alix, Álvaro Lapa, Amélia Alexandre, Ana Jotta, André Cepeda, André Guedes, Andres Serrano, Ângela Ferreira, Ângelo de Sousa, António Areal, António Charrrua, António Melo, António Olaio, António Palolo, António Sena, Arlindo Silva, Artur Barrio, Beatriz Albuquerque, Carla Filipe, Carlos Botelho, Carlos Correia, Cindy Sherman, Damien Hirst, Dinis Santos, Edgar Martins, Eduardo Batarda, Eduardo Matos, Fernando J. Ribeiro, Fernando Lanhas, Fiona Rae, Franz West, Gonçalo Barreiros, Gonçalo Pena, Graça Pereira Coutinho, Helena Almeida, Horácio Frutuoso, Hugo de Almeida Pinho, Inês Norton, Jérémy Pajeanc, Joana Rosa, João Louro, João Marçal, João Maria Gusmão + Pedro Paiva, João Pedro Vale + Nuno Alexandre Ferreira, João Penalva, João Tabarra, Joaquim Bravo, Joaquim Rodrigo, Jonathan Meese, Jorge Molder, José Almeida Pereira, José Loureiro, José Pedro Croft, Júlia Ventura, Julião Sarmento, Leonel Moura, Lourdes Castro, Ludgero Almeida, Luís Paulo Costa, Luísa Mota, Luisa Correia Pereira, Martin Kippenberger, Manuel Baptista, Manuel Botelho, Manuel Santos Maia, Maria Helena Vieira da Silva, Maria Trabulo, Mário Cesariny, Martinho Costa, Max Fernandes, Miguel Leal, Miguel Palma, Mimmo Rotella, Muntean & Rosenblum, Musa Paradisiaca, Nan Goldin, Nobuyoshi Araki, Noé Sendas, Nuno Cera, Nuno Pimenta, Nuno Ramalho, Nuno Sousa Vieira, Paulo Nozolino, Pedro Cabral Santo, Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez, Pedro Portugal, Pedro Proença, Pires Vieira, Ricardo Valentim, Rinus Van de Velde, Sara & André, Sophie Calle, Stephan Balkenhol, Stuart Carvalhais, Susana Mendes Silva, Tiago Alexandre, Tiago Madaleno, Tiago Baptista, Thomaz de Mello, Vanessa Beecroft, Xavier Almeida, Xavier Paes e Yonamine.

Paulo Mendes é artista plástico de formação, curador de exposições e produtor de projetos culturais. Ao longo de vinte e cinco anos de trabalho, participou em aproximadamente trezentos projetos expositivos e performativos, tendo comissariado e produzido mais de setenta exposições independentes e institucionais.

 

Vista da exposição-instalação © Dinis Santos

Vista da exposição-instalação © Dinis Santos

Vista da exposição-instalação © Dinis Santos

Vista da exposição © Paulo Mendes Archive Studio / Pedro Figueiredo

Vista da exposição-instalação © Dinis Santos

Vista da exposição-instalação © Dinis Santos

Vista da exposição-instalação © Dinis Santos

Vista da exposição-instalação © Dinis Santos

Vista da exposição-instalação © Dinis Santos

Vista da exposição © Paulo Mendes Archive Studio / Pedro Figueiredo

Vista da exposição-instalação © Dinis Santos

Vista da exposição-instalação © Dinis Santos

Atividades paralelas
27 e 30 junho 2019
Labirinto Propício #6 o animal embalsamado
A arquitetura é a primeira a receber-nos. Nesta última sessão do Labirinto Propício vamos tomar o pulso ao edifício, outrora edifício-máquina, e às suas entranhas. A memória transborda estas paredes. Que forma é que ela tem?

Folha de sala



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