Sem Terra à Vista
18 abril 2026 — 24 janeiro 2027
Curadoria: Paula Cabaleiro
Reflexões sobre este mundo de incertezas contemporâneas,
a partir de uma nova revisão da Coleção Norlinda e José Lima
My little boat,
Take care,
There is no
Land in sight.
— Charles Simic
Sem terra à vista. Navegar perante a barbárie, sem um mapa que desenhe uma promessa, é antecipar a deriva rumo ao naufrágio. Perscrutamos o horizonte na procura de uma luz-farol que atravesse as névoas. São tempos de escuridão e desassossego. De desespero. Onde fica o norte, o nosso norte? Como é importante ter referências para intuir o caminho. Se é que resta algum caminho.
Esta exposição tem como título o nome do último poemário do escritor sérvio-americano Charles Simic (No Land in Sight: Poems, 2022), numa tentativa de reflexão sobre as incertezas contemporâneas que hoje nos afligem, a partir duma nova revisão da Coleção de Arte Moderna e Contemporânea Norlinda e José Lima. É uma mostra que possibilita novas relações e diálogos entre obras e artistas de diferentes gerações, origens, culturas, disciplinas e abordagens técnicas, aproveitando a grande heterogeneidade e riqueza do acervo, com o objetivo de suscitar indagações e pensamento crítico no público visitante.
Tornar o espaço do museu um lugar de encontro e reflexão, sem evitar o conflito: essa é a premissa. O percurso expositivo atravessa conceitos como a nossa fragilidade perante o desespero e a incerteza contemporâneas; a guerra e o conflito; a polarização política, a desinformação e o esquecimento histórico; a vulnerabilidade das nossas democracias; a migração e os novos discursos de ódio perante o outro; o egoísmo, a cultura da imagem e a superficialidade na nossa sociedade; as alterações climáticas e o negacionismo; as desigualdades sociais; a desumanização das relações interpessoais; as violências machistas e a objetificação do corpo das mulheres; identidades dissidentes; a vulneração dos direitos humanos; a homofobia; o consumismo capitalista; e a devastação do planeta através da exploração selvagem dos seus recursos, entre outros.
Como poderão observar, Sem terra à vista não tenciona remeter literalmente para uma viagem certamente agónica em que não se vislumbra um horizonte, antes traduzindo simbolicamente uma profunda sensação de desespero e a crise existencial da humanidade e do sistema de valores que impera na nossa contemporaneidade. Esta exposição é, portanto, um espaço de reflexão coletiva, de fomento do pensamento crítico, apelando aos valores morais e éticos, à solidariedade e ao feminismo, num regresso necessário à humanidade e às pessoas, na procura de alguma luz, de algum possível caminho: de alguma terra à vista.
Artistas Alexandre Baptista, Ana Jotta, Ana Vieira*, André Cepeda, André Romão, Anish Kapoor*, Augusto Alves da Silva, Bernardí Roig, Carlos Correia, Carlos Noronha Feio, Carla Filipe, Carmen Calvo, Charles Juhasz-Alvarado, Chéri Samba, Christian Boltanski, Cindy Sherman*, Cristina Iglesias, Daniel Barroca, Daniel Blaufunks, David LaChapelle, Edgar Martins, Edson Chagas, Eduardo Batarda, Eva Lootz, Fernando Calhau, Fernão Cruz, Filipe Volker Marques, Glenda León, Gonçalo Mabunda*, Gonçalo Pena*, Helena Almeida, Horst P. Horst, Hubertus Hierl, Inês Osório, Isabel Cordovil, Jiri Georg Dokoupil, João do Vale, João Louro, João Maria Gusmão + Pedro Paiva, João Pedro Vale + Nuno Alexandre Ferreira, João Tabarra, Joel Sternfeld, Jorge Molder, Jose Nicolas, José Pedro Croft, Julião Sarmento, KCHO (Alexis Leyva Machado), Leon Golub, Luís Paulo Costa, Maria José Oliveira, Marie-Paule Nègre, Marta Maria Perez Bravo, Mattia Denise, Mauro Cerqueira, Mel Bochner, Miguel Januário MaisMenos, Mónica de Miranda, Musa Paradisíaca, Paul Blanca, Paula Rego*, Pedro Cabrita Reis, Pierre Houles, RIGO23*, RITA GT, Robin Hammond, Rui Chafes, Rui Toscano, Sara Bichão, Shi Lifeng, Stefanie Schneider, Susana Mendes Silva, Susanne S.D. Themlitz, Svetlana Melik-Nubarova, Vanessa Beecroft, Victor Elschansky, Yonamine
* Obra com audiodescrição
Paula Cabaleiro é gestora cultural galega e comissária de exposições. Licenciada em Belas Artes pela Universidade de Vigo, mestrado em Arte, Museologia e Crítica Contemporâneas pela USC e um mestrado em Educação pela Universidade de Vigo. Atualmente, é membro do Plenário do Conselho da Cultura Galega, onde coordena a Secção de Criação e Artes Visuais Contemporâneas e a Comissão de Gestão e Políticas Culturais. Foi diretora de Cultura da Deputación de Pontevedra (2020-2023), diretora do Museo MAC Florencio de la Fuente, em Huete, Cuenca (2015-2020), diretora do Espazo de Arte de Culturgal (2014-2019) e coordenadora das residências artísticas Estudio Aberto e O (Re) Encontro da Deputación de Lugo, entre outros cargos. É membro da Xunta Directiva dos Premios Crítica de Galicia desde 2015. Comissariou exposições e projetos em múltiplos museus e centros de arte da Galiza e Espanha, como CGAC, Cidade da Cultura, Museo de Pontevedra, Rede Museística de Lugo, Fundación PG Camilo José Cela, Centros Marcos Valcárcel, Afundación, Auditorio de León ou MAC Florencio de la Fuente (Cuenca), entre outros.
AUTOCARRO GRATUITO DIA 18 de abril AQUI
PROGRAMA COMPLEMENTAR
18 de abril | 16:00 | Inauguração
18 de abril | 16:30 | Performance de Javier Neira e Nuria Sotelo
19 de setembro | 17:00 | Conversa com Bernardi Róig, Encarna Lago, Maria Vlachou, Miguel Januário
Moderação de Lara Soares e Paula Cabaleiro
3 de outubro | 17:00 | Performance de Veronica Ruth Frias
17 de outubro | 17:00 | Performance de Ana Gesto
7 de novembro | 17:00 | Performance de Rebecca Moradalizadeh