Feixe de luz: escultura projetada, cinema exposto
21 outubro 2022 — 22 janeiro 2023
Curadoria: Andreia Magalhães

Em 1923, com a ajuda de Man Ray, Constantin Brancusi começou a filmar as suas esculturas. Ao longo de quinze anos realizou uma série de pequenos filmes entre os quais se podem ver algumas obras seminais da escultura moderna — Leda, Princesse X, L’oiseau dans l’espace, as colunas infinitas —, encenadas no espaço, a ganharem movimento e a serem alvo de uma transfiguração criada pela manipulação da incidência de luz. Nestes filmes vemos também Brancusi a trabalhar, o atelier a ser utilizado como espaço performativo, tomado por bailarinas e artistas, e assistimos à construção de projetos escultóricos de maior envergadura, como a Coluna Infinita implantada em Târgu Jiu, Roménia, em 1938. 

Com estes filmes, Brancusi deixou o cinema entrar na escultura iniciando um processo recíproco de profunda transformação, que se desdobrou e complexificou ao longo do século XX até aos dias de hoje. Nas suas múltiplas dimensões: o filme como documento que se converte em obra, o filme como possibilidade de encenação e performatividade das artes visuais, o filme como a possibilidade de síntese de opostos (material/imaterial; sombra/luz; volume/projeção; imagem/som) são ponto de partida para Feixe de Luz: escultura projetada, cinema exposto, uma exposição dedicada às relações de transferência entre os processos estruturais do cinema e da escultura.

Artistas Constantin Brancusi, Mary Ellen Bute, Hollis Frampton, Fischli & Weiss, João Maria Gusmão + Pedro Paiva, Nancy Holt, Mark Leckey, Babette Mangolte, Liz Rhodes, Susanne Themlitz, Francisco Tropa