O Efeito do Observador
19 junho — 31 dezembro 2021
Curadoria...: Pablo Berástegui

O Efeito do Observador: À volta da fotografia na coleção Norlinda e José Lima

Concebida a partir da coleção Norlinda e José Lima, a exposição parte da fotografia presente no acervo, sendo colocada em relação com obras de imagem em movimento, instalação e outras mais disciplinares como a pintura ou o desenho, para tomar conta do nosso próprio olhar. O projeto inspira-se no denominado “O Efeito do Observador” oriundo da física quântica que mede as mudanças que o ato de olhar tem sobre os objetos contemplados. A observação ocorre por ação da luz e que como tal se trata de um fenómeno que se altera, o que levou a Roland Barthes, um dos nomes centrais do pensamento europeu e dos estudos da imagem, a sugerir que o nome mais adequado para a fotografia seria “Imago lucis opera expressa” – a imagem revelada pela ação da luz. No entanto, na exposição encontram-se obras identificadas como fotografias que nunca passaram por uma câmara nem responderam a ação da luz.

Assim, a exposição o Efeito do Observador sustenta-se na ideia de que o nosso olhar pode transformar o mundo: “Uma mente consciente pode afetar diretamente a realidade”. Sempre do braço do Barthes, quem afirmou no seu trabalho seminal A Câmara Clara que toda a relação com uma fotografia só pode responder a uma das seguintes ações: olhar, experimentar ou fazer; a exposição quer convidar aos visitantes para observar detalhadamente as imagens fixas ou em movimento que fazem parte da escolha do curador. Entre a luz e a escuridão, a contemplação e a oclusão dos olhos, a ordem e a entropia, a fotografia e a pintura, esta amostra quer refletir sobre o olhar consciente do observador para construir uma outra leitura da coleção.

Pablo Berástegui (Pamplona, 1968) vive e trabalha em Portugal e Espanha. Desenvolveu uma sólida carreira de 20 anos como produtor cultural em diferentes instituições, principalmente em projetos de grande escala. Atualmente é o diretor do projeto de fotografia documental denominado Salut au monde! que iniciou em fevereiro de 2019 no Porto. Foi Diretor Geral de San Sebastián 2016 Capital Europeia da Cultura, o projeto mais ambicioso em que esteve implicado e o de maior projeção internacional. Anteriormente foi responsável pelos espaços culturais da cidade de Madrid como Matadero Madrid (2008-2012) e o Centro Conde Duque (2013). No âmbito da fotografia, foi diretor do Festival Internacional de Fotografia e Artes Visuais PhotoEspaña entre 2003 e 2006. Foi também diretor da “La noche en blanco de Madrid” em quatro edições (2007-2010).  Em paralelo com o seu trabalho de gestor cultural e curador tem mantido colaboração como professor convidado em diferentes cursos de pós-graduação. É atualmente professor de Planificação e Gestão de Projetos Culturais no curso de Estudos Curatoriais da Universidade de Navarra. Colabora igualmente como consultor em diferentes projetos culturais em Espanha e Portugal.

Obras em destaque

Harmen de Hoop, Sandbox Amsterdam, 1996 © Cortesia do artista

Milagros de la Torre, Censored VIII, 2000 © Dinis Santos

Augusto Alves da Silva, 3.16, 3.16, 2003 © André Rocha

Thomas Struth, Gasse mit Platanen, Wuhan, 1997 © Aníbal Lemos

Harmen de Hoop, Sandbox Amsterdam, 1996 © Cortesia do artista

Milagros de la Torre, Censored VIII, 2000 © Dinis Santos

Augusto Alves da Silva, 3.16, 3.16, 2003 © André Rocha

Thomas Struth, Gasse mit Platanen, Wuhan, 1997 © Aníbal Lemos