Paula Rego: O Grito da Imaginação
30 outubro 2020 — 7 fevereiro 2021
Curadoria...: Marta Almeida

A exposição Paula Rego: O Grito da Imaginação tem como ponto de partida o núcleo de obras de Paula Rego na Coleção de Serralves e que são representativas de várias fases de produção da artista portuguesa de maior reconhecimento internacional. Sediado no cruzamento de memórias pessoais com múltiplas referências da tradição pictórica e literária, o trabalho de Paula Rego caracteriza-se por uma obsessiva abordagem aos aspetos mais sombrios, profundos e ambíguos das relações humanas e das articulações entre o indivíduo e o coletivo. Seja em composições mais extravagantes e repletas de humor e ironia, ou em narrativas pictóricas mais densas e cuidadosamente cenografadas, a pintora explora desassombradamente temas como o poder e a obediência, a dor física e psicológica, a vergonha e o orgulho, a violência, a solidão e a sociabilidade.

A exposição vai apresentar dezenas de pinturas da coleção de Serralves, sobretudo realizadas na década de 1970 e 1980, conjuntamente obras da artista presentes na coleção Norlinda e José Lima e obras de arte bruta e outsider da coleção Treger/Saint Silvestre, acervos residentes no Centro de Arte Oliva. Este projeto de exposição parte das relações que as obras das coleções do Centro de Arte Oliva potenciam para o conhecimento e novas abordagens à obra da pintora.

Paula Rego foi bastante influenciada pelo seu contacto com a arte outsider e com a obra do artista e téorico, fundador do conceito de arte bruta, Jean Dubuffet.  Na década de 1980 a pintora realizou uma numerosa série de pinturas “Vivian Girls”, que estão entre as mais significativas da sua obra e que são resultado do seu contacto com a obra de Henry Darger (1892-1973), um dos nomes mais importantes da história da arte bruta internacional, cuja única obra existente em Portugal está em depósito no Centro de Arte da Oliva, pertencendo à Coleção Treger Saint Silvestre. Por esta época realizou também uma série de pinturas de homenagem a Jean Dubuffet, de que existem pinturas não só na coleção de Serralves como também no Centro de Arte Oliva. Como a própria artista referiu, as Vivian Girls basearam-se nas jovens de Darger e correspondem a fantasias literárias de meninas guerreiras, tal como os universos encenados por Paula Rego. Neste sentido, o contacto com a obra do artista francês Jean Dubuffet (1901-1985), em 1959, fomentou o seu interesse por um modo de fazer arte que suscitava a invenção de mundos paralelos, metamorfoses dos corpos  humanos e animais intrincados em composições narrativas complexas.

Durante o período de permanência da exposição é exibido o filme “Paula Rego, Histórias e Segredos”, de Nick Willing.

Obras em destaque

Paula Rego, The Vivian Girls on the Farm, 1984 – 1985. Col. Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto. Créditos fotog. Filipe Braga

Paula Rego, A Árvore de Dubuffet (da série Homenagem a Dubuffet), 1985, Créditos fotog. Aníbal Lemos

Henry Darger, The Glandelinians caught in the act by the ferocious Lagorian girl scouts (...), c. 1930-1940, Créditos fotog. André Rocha

Paula Rego, The Vivian Girls on the Farm, 1984 – 1985. Col. Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto. Créditos fotog. Filipe Braga

Paula Rego, A Árvore de Dubuffet (da série Homenagem a Dubuffet), 1985, Créditos fotog. Aníbal Lemos

Henry Darger, The Glandelinians caught in the act by the ferocious Lagorian girl scouts (...), c. 1930-1940, Créditos fotog. André Rocha

Visita à exposição pela curadora Marta Almeida

Atividades paralelas
Visita orientada à exposição por Susana Rodrigues, monitora do Projeto Educativo
31 de outubro de 2020 | 16h00

Duração: 60 minutos
Acesso: mediante aquisição de bilhete de entrada (2,00€)*
Público-alvo: geral
Lotação: limite máximo de 10 participantes (é necessário inscrição prévia através do email centrodearteoliva@cm-sjm.pt)

*Entrada gratuita e descontos previstos no tarifário aplicam-se. Consultar condições de acesso.